Teich: cloroquina como tratamento precoce contra Covid é responsabilidade direta do presidente

A persistência na recomendação do uso generalizado de cloroquina e hidroxicloroquina, substâncias com ineficácia cientificamente comprovada para a Covid, e gastos na fabricação desses remédios, sabidamente inúteis no tratamento da doença, são de responsabilidade direta do presidente Jair Bolsonaro. A afirmação é do ex-ministro da Saúde Nelson Teich, respondendo a perguntas do senador Alessandro Vieira (SE), líder do Cidadania, durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.


"O presidente tem aposição dele de defender a cloroquina, eu saí em função disso e ele mantém a posição dele", resumiu Teich, confirmando que não existe nenhum estudo clínico, sério, referendado mundialmente, que apregoe utilizar esses medicamentos no tratamento de Covid.


Teich reconheceu a Alessandro Vieira que se o Brasil tivesse entrado mais cedo, numa estratégia de governo, no disputado mercado de venda de vacinas, então ainda em desenvolvimento, o Brasil certamente teria agora mais vacinas agora - e poderia evitar tantas mortes.


Teich explicou a diferença entre a autonomia do médico na relação com o paciente, na discussão do melhor tratamento, e o desenvolvimento de uma política pública, com gastos elevados, baseada em teorias sem nenhum lastro científico sério - como é o caso da fabricação e uso de cloroquina. "Quando você fala em dinheiro público, aí não se pode usar em coisas que sabidamente não funcionam", disse.


O senador citou frase dita hoje pelo presidente Bolsonaro, que chamou de "canalha" quem é contra o tratamento precoce contra a Covid-19, com uso de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina. A promoção do tratamento precoce é um dos alvos da CPI da Covid, que ocorre no Senado e tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia, além do repasse de recursos federais a estados. Bolsonaro também voltou a fazer um novo ataque à China, sugerindo que o país asiático teria se beneficiado economicamente da pandemia, afirmando que a Covid pode ter sido criada em laboratório — tese que não encontra respaldo científico. "Não concordo com nada disso", disse Teich, aparentando desânimo.



Texto: Ricardo Miranda - Assessoria do Parlamentar

Foto: Agência Senado


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