Resumo 3ª semana CPI da Pandemia: 11 a 14 de maio



11 de maio, terça-feira: Oitiva de Antonio Barra Torres, Diretor-Presidente da ANVISA


  • Barra Torres criticou as falas negacionistas de Bolsonaro relacionadas à cloroquina, manifestações, isolamento social e vacinas.

  • O diretor-presidente afirmou ser contra a indicação do uso de hidroxicloroquina, e confirmo a tentativa do Governo de mudar a bula do remédio por meio de decreto presidencial. Barra Torres também afirmou que o responsável por convocar e conduzir a reunião, realizada no Palácio do Planalto, foi o então ministro da Casa Civil, Braga Netto.

  • No mesmo dia, o Senador Alessandro Vieira apresentou um requerimento para convocar à CPI o ministro da Defesa, general Braga Netto, para prestar esclarecimentos.

REQUERIMENTOS Senador Alessandro solicitou a convocação de Túlio Silveira e Emanuela Medrades, representantes da Precisa Medicamentos, para prestar depoimentos na CPI. A empresa é a representante da farmacêutica indiana Bharat Biotech no Brasil, fabricante da vacina Covaxin, usada contra a Covid-19. A vacina não tem aval da Anvisa para uso no país. Em março, a Agência negou o certificado à Bharat após inspeções realizadas no laboratório.



12 de maio, quarta-feira: oitiva do ex-chefe da Comunicação de Bolsonaro, Fabio Wajngarten


  • Senador Alessandro questionou o depoente sobre a entrevista de Wajngarten à revista Veja em abril, quando o secretário afirmou que anteviu "os riscos da falta de vacina”, o que o levou a mobilizar “com o aval do presidente vários setores da sociedade".

  • O ex-secretário evitou uma resposta direta sobre o conhecimento de Jair Bolsonaro de sua atuação. Após ser confrontado novamente, Wajngarten afirmou que o presidente não sabia que ele contataria pessoas para articular a compra da vacina.

  • Alessandro leu o trecho da matéria com a declaração de Wajngarten afirmando que tinha o aval do presidente e concluiu: "Então o senhor mentiu à Veja? É melhor mentir à Veja do que à CPI. Aqui dá cadeia, lá pode dar um processo, desmoralização”.

  • Após as descobertas, o senador Renan Calheiros - relator da CPI, pede a prisão de Wajngarten por ter mentido à Comissão. O presidente, Senador Omar Aziz, nega o pedido.

REQUERIMENTOS

- As contradições nas declarações de Fabio Wajngarten levaram o Senador Alessandro Vieira a apresentar requerimento solicitando a quebra dos sigilos telefônicos e telemático do ex-secretário.

- No mesmo dia, Alessandro apresenta requerimento solicitando ao Ministério da Saúde a disponibilização de compra de vacinas, bem como de protocolos de intenções celebrados com os fornecedores.



13 de maio, quinta-feira: oitiva do representante da Pfizer, Carlos Murillo


  • Senador Alessandro Vieira apresentou Questão de Ordem sugerindo que cada senador seja responsável por fazer uma triagem dos documentos que fez requerimento, para evitar a sobrecarga da relatoria da comissão.

  • O gerente-geral da Pfizer na América Latina afirmou que a empresa fez ao menos cinco ofertas de doses de vacina em 2020, que não foram fechadas. Segundo Murillo, as negociações que começaram em maio foram ignoradas pelo Governo. As ofertas chegaram a 70 milhões de doses de vacina.

  • O representante da Pfizer também confirmou a reunião com Wajngarten e afirmou que se o contrato fosse aceito em agosto, o Brasil teria cerca de 18,5 milhões de doses.

  • Murillo também desmentiu Eduardo Pazuello e afirmou que as condições impostas para a venda de vacinas ao governo brasileiro não eram “leoninas”.

  • O gerente-geral explicou que o acordo firmado com o Brasil, assinado no dia 19 de março desse ano, prevê 100 milhões de doses entregues até o terceiro trimestre.

  • Murillo também confirmou a participação de Carlos Bolsonaro e Filipe Martins em reuniões para tratar a compra de vacinas.

  • No mesmo dia Alessandro apresentou requerimento convocando Carlos e Filipe para prestar esclarecimentos à CPI.

  • Alessandro apresentou um estudo realizado pelo Professor Paulo Martins, da Universidade Federal de Sergipe, baseado na proporção de dados levantada pelo Departamento de Saúde do Reino Unido - que afirma que o número de vacinas aplicadas nos cidadãos de um país representa diretamente não só a redução expressiva no ciclo de expansão da pandemia, mas também uma redução no número de mortes. Segundo o estudo, com 1,5 milhão de vacinas, pelo menos mil vidas seriam salvas diretamente. Na reunião, Alessandro lembrou que se o acordo tivesse efetivamente sido firmado, algo em torno de 4,5 milhões de doses, na menor contabilidade, 3 mil vidas poderiam ter sido salvas.



Texto: Heloísa Almeida - Assessoria do Parlamentar

Foto: Agência Senado


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